As plataformas TikTok e Instagram têm se tornado populares na disseminação de orientações sobre emagrecimento e hábitos alimentares saudáveis. Contudo, um estudo recente indica que uma parte significativa desse material pode conter dados imprecisos ou enganosos, especialmente quando produzido por influenciadores sem formação na área da saúde.
A pesquisa, que foi publicada no Journal of Technology in Behavioral Science, analisou 300 vídeos postados nas redes sociais TikTok e Instagram entre os dias 25 e 27 de maio de 2025, utilizando as hashtags #healthylifestyle, #nutrition e #cleaneating. Os resultados revelaram que 68% dos conteúdos avaliados apresentavam informações consideradas falsas ou enganosas.
Dos vídeos investigados, 36% promoviam um tipo específico de dieta, enquanto 67% enfatizavam a chamada alimentação “limpa” ou “saudável” como a mensagem principal. Além disso, cerca de 75% das postagens mencionavam suplementos e superalimentos.
Adicionalmente, aproximadamente metade dos vídeos retratava a alimentação saudável como uma moda ou estilo de vida, ao invés de abordá-la exclusivamente sob uma perspectiva nutricional.
Foco na estética é mais intenso no Instagram
A pesquisa também revelou diferenças significativas entre as duas plataformas. No Instagram, 78% dos vídeos analisados apresentavam algum nível de objetificação do corpo, em contraste com apenas 48% no TikTok.
Além disso, o Instagram exibiu uma maior quantidade de imagens de indivíduos com corpos magros e musculosos: 70,7% dos vídeos mostravam esse padrão comparado a apenas 47,3% no TikTok.
Outra distinção observada foi em relação aos tipos de exercícios discutidos. O Instagram teve maior prevalência de conteúdos voltados para treinamento de força visando a modificação da aparência física. Por outro lado, o TikTok focou mais em atividades aeróbicas e apresentou uma visão mais ampla da saúde relacionada ao bem-estar.
Os pesquisadores também buscaram indícios relacionados à ortorexia nervosa, que se caracteriza por uma preocupação excessiva quanto ao consumo de alimentos considerados “puros” ou “saudáveis”, incluindo regras alimentares rígidas e desconforto quando essas normas são desrespeitadas.
Os dados também evidenciaram uma diferença notável entre criadores qualificados e não qualificados. Entre os conteúdos gerados por profissionais com credenciais relevantes, 45,5% foram classificados como precisos. Em contraste, somente 4,7% das postagens feitas por influenciadores sem formação específica apresentaram informações corretas.
Decisões sobre saúde são impactadas pelas redes sociais
Uma outra pesquisa divulgada no Journal of the American Medical Association (JAMA) revelou que mais de um quinto dos usuários de redes sociais admite tomar decisões relacionadas à sua saúde baseando-se nos conteúdos visualizados nessas plataformas.
Simultaneamente, quase 80% dos participantes consideram que as informações sobre saúde disponíveis nas redes sociais são falsas ou enganosas. Apesar dessa desconfiança generalizada, a troca de informações sobre saúde continua prevalente: aproximadamente 85% dos entrevistados afirmaram já ter publicado ou compartilhado conteúdos pessoais ou gerais sobre o tema.
Embora existam profissionais qualificados criando conteúdo nas redes sociais, a aparência de autoridade nem sempre garante que as informações sejam embasadas cientificamente. A falta de revisão editorial pode facilitar a propagação de recomendações equivocadas.
Por essa razão, especialistas aconselham que os usuários verifiquem a formação dos criadores de conteúdo e busquem informações sobre alimentação saudável e emagrecimento em fontes científicas respeitáveis ou instituições reconhecidas, especialmente quando as recomendações envolvem dietas severas, suplementos ou promessas rápidas para perda de peso.
