Pesquisas recentes mostram o papel do colesterol tanto para manter a saúde do cérebro, como para acelerar seu declínio. E a composição da gordura tem uma grande ligação com esses efeitos diferentes.
Durante anos, o colesterol foi considerado vilão, principalmente por sua associação com acidente vascular cerebral (AVC). No entanto, estudos mais recentes mostraram que o cérebro depende dele para funcionar bem. O órgão é composto por cerca de 60% de gordura e precisa de lipídios para manter a estrutura das células nervosas e a transmissão de sinais elétricos. Isso, porém, não quer dizer qualquer gordura.
Manter o equilíbrio, no entanto, é desafiador. Por um lado, as gorduras boas são essenciais para a formação e manutenção das funções dos neurônios, no entanto, o excesso de lipídios, principalmente dos tipos LDL que se acumulam em forma de gotículas no cérebro, está relacionado à inflamação e ao declínio cognitivo.
Afinal, quando o colesterol protege ou prejudica?
Cientistas de todo o mundo vêm conduzindo pesquisas para entender os impactos do papel distinto do colesterol no cérebro. Um desses estudos indicou que o HDL pode ter um efeito neuroprotetor.
Exames de imagem mostram que os níveis mais altos de HDL estão associados a uma melhor preservação da cognição com o envelhecimento. Essa associação benéfica se manteve até em pacientes que tinham o gene ApoE4, ligado ao Alzheimer.
Outro estudo teve foco no colesterol “ruim”, o LDL. Níveis altos desse tipo de gordura entre 40 e 65 anos aumenta significativamente o risco de Alzheimer e outras formas de demência nas décadas seguintes. O excesso de gordura é capaz de paralisar as células de defesa cerebrais. A função celular dessas células se recuperou integralmente ao acabar com as enzimas de gordura.
Portanto, é importante é manter o colesterol sob controle, especialmente o LDL, para reduzir o risco de declínio cognitivo. Uso de estatinas e mudanças na dieta ajudam não somente a proteger o coração, mas também a retardar ou prevenir a demência.
O corpo produz colesterol em vários tecidos, entretanto, o do cérebro é único. Ele é sintetizado ali e não atravessa livremente a barreira hematoencefálica, que isola o sistema nervoso, por isso seus níveis podem ser diferentes do restante do corpo. Ademais, ele tem metabolismo próprio e apenas derivados, como a 24S-hidroxicolesterol conseguem ultrapassar a barreira.
Essa separação ajuda a proteger o sistema nervoso de variações bruscas na gordura circulante. Distúrbios sistêmicos do corpo associados aos níveis lipídicos podem afetar indiretamente o metabolismo de colesterol cerebral. Indivíduos com obesidade abdominal, hipertensão e baixos níveis de HDL no sangue costumam apresentar volume cerebral reduzido.
O momento da vida em que o colesterol se eleva parece determinar o risco futuro de demência. Após os 70 anos, essa associação enfraquece, e os níveis mais altos podem se associar a melhor prognóstico em alguns estudos.
São necessárias mais pesquisas para entender melhor os efeitos do colesterol no cérebro. Mas a certeza é que cuidar da alimentação, fazer atividades físicas e tratamento medicamentosos, quando necessário, para controlar o colesterol auxiliam na saúde como um todo.




