Uma simples imagem do dorso da mão pode ser uma chave importante para detectar sinais de acromegalia, um distúrbio hormonal raro que frequentemente leva anos até ser diagnosticado. Uma equipe de pesquisadores criou um modelo de inteligência artificial destinado a analisar fotos das mãos e identificar pacientes que podem precisar de avaliação médica.
A pesquisa foi divulgada no The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, destacando que essa tecnologia pode servir como uma ferramenta de triagem, facilitando a identificação de casos suspeitos por parte dos profissionais de saúde.
A acromegalia se desenvolve quando há uma produção excessiva do hormônio do crescimento. Essa condição normalmente se manifesta na meia-idade e gera alterações físicas graduais, como aumento nas mãos e pés, inchaço das extremidades, dores de cabeça e modificações faciais.
Devido à natureza lenta dessas transformações, o diagnóstico pode levar muitos anos — em algumas situações, o atraso pode ultrapassar dez anos. Sem tratamento apropriado, a doença é capaz de causar sérias complicações e reduzir a expectativa de vida do paciente.
Análise com IA em 11 mil fotografias
Para criar o sistema, os cientistas recrutaram 725 voluntários de 15 centros médicos no Japão, sendo que cerca da metade já havia recebido o diagnóstico de acromegalia.
Os pesquisadores utilizaram aproximadamente 11 mil imagens do dorso das mãos para treinar e validar o modelo. As fotos focavam apenas nesta área e no punho fechado, evitando a exposição da palma para garantir a privacidade dos voluntários.
Nos testes realizados, o sistema demonstrou um desempenho promissor. Quando indicava a presença da acromegalia, havia 88% de probabilidade de que o paciente realmente tivesse a condição. Por outro lado, quando o resultado era negativo, a chance de que a pessoa não apresentasse o distúrbio chegava a 93%.
Além disso, o modelo superou o desempenho dos endocrinologistas que analisaram as mesmas imagens.
Não substitui avaliação médica
Apesar dos resultados encorajadores, os pesquisadores enfatizam que a inteligência artificial não deve substituir um diagnóstico médico formal. A confirmação da acromegalia requer uma avaliação abrangente que inclua histórico clínico detalhado, exame físico e testes laboratoriais.
A ferramenta poderia atuar como um recurso adicional para ajudar na identificação de indivíduos que necessitam de uma investigação mais minuciosa, especialmente em áreas onde há escassez de especialistas.
Considerada uma doença rara, a acromegalia afeta entre 8 e 24 pessoas para cada 100 mil indivíduos.
Os pesquisadores têm planos para testar o modelo em populações maiores e mais variadas para verificar se os resultados se mantêm consistentes entre diferentes grupos demográficos.
Além disso, a equipe está investigando se a análise das imagens das mãos pode ajudar na detecção de outras condições relacionadas às mudanças nas extremidades, como artrite reumatoide, anemia e baqueteamento digital.
Se os resultados forem corroborados em estudos futuros, essa tecnologia poderá ser fundamental para reconhecer precocemente doenças frequentemente ignoradas.
