Um estudo recente da Associação Americana do Coração (AHA) revelou que mesmo o consumo de apenas um copo de bebida alcóolica pode ser prejudicial para a saúde.
O excesso de álcool já foi associado a um aumento do risco de problemas cardíacos como infarto, AVC e fibrilação atrial. Embora beber uma ou duas doses por dia possa ter benefícios leves ou neutros em alguns casos, estudos que apoiam essa ideia são limitados e suscetíveis a diferentes interpretações.
No entanto, o risco de problemas cardiovasculares aumenta significativamente quando o consumo médio é de três doses ou mais por dia. O relatório destaca que o consumo de álcool é comum na população em geral, com cerca de 85% dos adultos nos Estados Unidos admitindo já ter consumido álcool em algum momento da vida.
Durante a pandemia de Covid-19, houve um aumento no consumo de álcool em termos de frequência e quantidade, o que resultou em casos preocupantes. O relatório também destaca a falta de consenso internacional sobre as recomendações para o consumo de álcool, com a OMS alertando que não há nível seguro e as diretrizes alimentares dos EUA reconhecendo a incerteza sobre os efeitos do consumo leve.
Risco de infarto, AVC e aumento na pressão arterial
O estudo buscou entender melhor a relação entre álcool e pressão arterial, concluindo que a partir da terceira dose diária, o corpo reage com uma queda inicial seguida de um aumento sustentado na pressão que pode durar até 24 horas.
Reduzir a quantidade de álcool consumida diariamente pode levar a reduções significativas na pressão arterial, especialmente em pessoas que costumam consumir seis doses por dia. Além disso, foi observado que mesmo uma única dose diária pode elevar progressivamente a pressão arterial.
A relação entre o consumo de álcool e o infarto do miocárdio apresenta nuances, com alguns estudos sugerindo uma leve redução no risco com um consumo moderado, mas evidências mais rigorosas não encontram benefícios claros. O consumo de álcool também está associado a um aumento no risco de AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico.
O álcool também foi associado à fibrilação atrial, aumentando o risco mesmo em consumos baixos. A abstinência de álcool pode reduzir significativamente a recorrência desse problema. Em relação à miocardiopatia alcoólica, o relatório destaca danos estruturais no coração causados por um consumo crônico e elevado de álcool.
Os efeitos do álcool no sistema cardiovascular permeiam diversas vias, afetando níveis de lipídios, coagulação, inflamação, metabolismo da glicose e peso corporal. A AHA desaconselha o consumo de álcool como medida preventiva, enfatizando a adoção de hábitos saudáveis como atividade física regular, alimentação equilibrada e acompanhamento médico.
O relatório conclui ressaltando a importância de estudos clínicos controlados para avaliar com precisão o impacto do álcool em diferentes grupos populacionais e compreender seus efeitos no organismo.




