O Sistema Único de Saúde (SUS) identificou uma possível consequência preocupante da automedicação comum entre os brasileiros: o agravamento da enxaqueca. Médicos alertam que o consumo excessivo de analgésicos para dor de cabeça pode intensificar os sintomas e tornar as crises ainda mais dolorosas.
Aos 49 anos, a promotora de eventos Viviane Travellini Nascimento Farah luta há duas décadas para aliviar os sintomas da enxaqueca. Ela enfrenta até 15 crises por mês, acompanhadas de fortes dores de cabeça, náuseas e tonturas.
“Sou conhecida pela família pelo meu problema de saúde. Ninguém pergunta como estou, apenas sobre a minha dor”, relatou Viviane em entrevista ao ‘Jornal Nacional’ da TV Globo.
Viviane já experimentou tantos medicamentos que os analgésicos comuns não fazem mais efeito, e os anti-inflamatórios chegaram a causar danos em seu fígado. Ela precisou retirar esses remédios de sua vida para tratar uma hepatite medicamentosa.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o SUS realizou 109 mil atendimentos para casos de enxaqueca entre janeiro e abril deste ano, um aumento significativo em comparação com os anos anteriores. Especialistas apontam para uma maior conscientização sobre a enxaqueca nas últimas décadas, o que também tem levado a uma busca mais frequente por tratamento.
Médicos recomendam que pessoas que sofrem de dores de cabeça frequentes busquem ajuda especializada se apresentarem três ou mais episódios por mês. A automedicação excessiva pode agravar o problema e dificultar o tratamento adequado.
Um estudo da Organização Mundial de Saúde revelou que até 5% da população pode desenvolver dor de cabeça crônica devido ao uso abusivo de medicamentos.
Para Clebson Gonçalves, farmacêutico do CR Dor Bom Retiro/SP, os medicamentos devem ser vistos como um auxílio e não como a solução definitiva. Mudanças no estilo de vida e hábitos saudáveis podem contribuir significativamente para o alívio dos sintomas da enxaqueca.
Viviane está prestes a iniciar um novo tratamento sob supervisão médica, em busca de alívio para suas dores intensas. “Preciso encontrar uma solução para minha dor. Não suporto mais viver assim”, desabafou.




