Uma equipe de pesquisadores da Ruhr University Bochum, localizada na Alemanha, está explorando a manifestação da empatia em diversas espécies animais, com um foco específico em ratos. A pesquisa, liderada pelo professor Albert Newen e divulgada na revista Biological Reviews no dia 28 de junho, visa esclarecer quais animais mostram comportamentos empáticos, as características que definem essa conduta, os momentos em que tal comportamento foi observado em investigações anteriores e as razões pelas quais ele pode variar entre diferentes espécies.
O estudo baseou-se na observação de comportamentos, incluindo um experimento clássico realizado em 2011 e publicado na revista Science. Nesse experimento, um rato livre conseguiu libertar seu companheiro que estava preso e posteriormente compartilhou sua comida. Os pesquisadores também se dedicaram a entender como esse tipo de ação pode ser explicado por diferentes níveis de percepção do outro rato envolvido.
A pesquisa teve como meta central desenvolver uma abordagem mais precisa para medir a empatia entre as espécies, evitando a simplificação de rotular um animal como empático ou não. Para isso, foi criado um modelo multidimensional que permite a comparação entre ratos, cães, corvídeos e primatas.
Modelo sugere que empatia em animais se manifesta em graus variados
A proposta da equipe liderada por Albert Newen é que a empatia não deve ser encarada como uma característica binária. Em vez disso, ela pode ser analisada através de diversas capacidades comportamentais e cognitivas que diferem entre as espécies.
Para fundamentar essa nova perspectiva, os cientistas identificaram cinco dimensões principais: reconhecimento das emoções alheias, compreensão das circunstâncias, percepção dos estados mentais, flexibilidade no comportamento e orientação para ações que beneficiem outros indivíduos. Essas dimensões foram comparadas com dados já existentes sobre ratos, cães, corvídeos e grandes primatas.
No caso dos ratos estudados, os resultados mostraram uma habilidade moderada para identificar emoções e situações, quase nenhuma capacidade de interpretar estados mentais mais complexos e uma alta flexibilidade comportamental. Apesar disso, houve evidências de que suas ações de auxílio a outros eram feitas com intenção voltada ao próximo e não apenas ao próprio benefício.
Experimentos com ratos como referência para análise
Um dos estudos que serviu de referência foi realizado em 2011 e envolveu dois ratos que estavam juntos em uma situação desigual. Enquanto um deles estava livre, o outro ficou preso em uma pequena estrutura.
Diante da escolha entre pegar alimento ou libertar seu companheiro preso, o rato livre optou por abrir a estrutura e libertar o outro animal. Depois dessa ação altruísta, ambos compartilharam a comida disponível. Esse comportamento foi interpretado pelos pesquisadores como uma possível evidência de empatia.
Distinção entre empatia humana e animal é defendida pelos pesquisadores
O estudo coordenado por Newen conclui que os ratos apresentam formas de empatia, mas essas são distintas daquelas observadas nos humanos. A principal diferença reside na menor capacidade desses animais de compreender estados mentais mais complexos dos outros.
A pesquisadora Maja Griem, parte integrante do estudo, destacou que esse tipo de comportamento proporciona uma discussão mais ampla sobre o conceito de empatia em bases científicas sólidas, afastando interpretações que se baseiam apenas nas impressões humanas sobre animais domésticos.
Implicações gerais e conclusão do modelo
A equipe afirma que a principal contribuição deste trabalho é oferecer uma classificação mais detalhada da empatia entre diferentes espécies. Assim sendo, ao invés de questionar se um animal possui ou não empatia, torna-se possível identificar quais componentes desse comportamento estão presentes e qual sua intensidade.
Os autores concluem que os ratos exibem um perfil parcial de empatia caracterizado por ações flexíveis de ajuda; no entanto, possuem limitações significativas na leitura de estados mentais complexos — diferenciação importante quando comparados aos seres humanos.




