Uma pesquisa realizada por acadêmicos da Universidade de Jilin e da Universidade Médica da China revelou uma correlação entre altos níveis de glicose no sangue e um envelhecimento cerebral acelerado. Os resultados do estudo foram divulgados na revista Molecular Psychiatry no final de junho.
A análise fez uso de dados do UK Biobank, abrangendo exames de imagem cerebral, informações genéticas e avaliações metabólicas de milhares de indivíduos. Com o auxílio de inteligência artificial, os pesquisadores calcularam a idade biológica dos cérebros dos participantes e a confrontaram com suas idades cronológicas.
Os achados indicaram que uma concentração elevada de glicose pode ser um fator passível de modificação relacionado ao envelhecimento cerebral, além de aumentar as chances de doenças que afetam a função cerebral. Isso ressalta a importância de adotar estratégias que promovam a saúde do cérebro ao longo da vida.
Inteligência artificial auxiliou na identificação de marcadores associados ao envelhecimento cerebral
Para investigar quais fatores biológicos afetam o envelhecimento cerebral, os cientistas utilizaram os dados disponíveis no UK Biobank, que compila informações sobre saúde, genética e exames por imagem de um grande número de pessoas. A partir dessas informações, foram extraídos aspectos estruturais do cérebro, incluindo volumes de áreas específicas e alterações detectadas por ressonância magnética.
Esses dados foram utilizados para desenvolver modelos de aprendizado de máquina voltados à estimativa da idade cerebral dos participantes. Dentre as abordagens avaliadas, o modelo estatístico LASSO apresentou o melhor resultado, alcançando um erro médio nas previsões de 3,26 anos.
Na sequência, os investigadores calcularam a discrepância entre a idade estimada do cérebro e a idade real dos participantes, conhecida como “brain age gap”. Esse dado foi comparado com as informações obtidas através das análises metabólicas realizadas em amostras sanguíneas.
A comparação identificou nove metabólitos relacionados ao envelhecimento do cérebro, destacando que a glicose tinha a relação mais significativa. Indivíduos com níveis elevados desse açúcar no sangue apresentavam cérebros que pareciam biologicamente mais velhos em comparação com sua idade cronológica.
Os autores do estudo afirmam que a combinação entre exames por imagem, análises metabólicas e dados genômicos possibilitou identificar marcadores associados ao envelhecimento cerebral e explorar se existe uma relação causal entre esses elementos.
“Utilizamos neuroimagem multimodal, metabolômica plasmática e dados genômicos do UK Biobank para identificar marcadores metabólicos relacionados ao envelhecimento cerebral e avaliar sua relevância causal”, explicaram os pesquisadores Zhirong Li, Yating Miao e seus colegas na publicação na revista Molecular Psychiatry.
Além da conexão com o envelhecimento cerebral, o estudo também encontrou uma associação entre níveis elevados de glicose e uma maior probabilidade do desenvolvimento de sete doenças que prejudicam o funcionamento cerebral. Dentre essas condições estão demência, doença de Alzheimer, demência vascular, doença de Parkinson, acidente vascular cerebral, depressão e ansiedade.
Os dados ainda mostraram que altos níveis de glicose estavam relacionados à diminuição do desempenho cognitivo, redução na capacidade motora, piores indicadores relacionados à saúde mental e diminuição do volume em diversas regiões cerebrais.
Na visão dos autores, os resultados sugerem que o metabolismo da glicose pode ser um alvo crucial para futuras abordagens preventivas. “As descobertas indicam o metabolismo da glicose como uma via modificável no processo de envelhecimento cerebral, com implicações para intervenções precoces visando à preservação da saúde cerebral ao longo da vida”, afirmaram no artigo científico.




