Pesquisa aponta presença de microplásticos cancerígenos na água engarrafada

Eles estão em todo lugar: beber água engarrafada pode expor o corpo humano a níveis perigosos de microplásticos, capazes de atravessar barreiras de defesa do organismo e se alojar em órgãos vitais. Tal ação aumenta potencialmente o risco de doenças graves, incluindo o câncer.

Os resultados, publicados em um estudo liderado por uma especialista em gestão ambiental, apontam que as pessoas que consomem água em garrafas plásticas ingerem mais partículas de microplástico por ano em comparação com quem bebe água da torneira.

Os fragmentos, com tamanho médio de dois micrômetros, podem causar inflamação crônica, estresse oxidativo, desequilíbrios hormonais, infertilidade, danos neurológicos e câncer.

“Beber água de garrafas plásticas é aceitável em situações de emergência, mas não deve ser um hábito diário. A educação é a ação mais importante que podemos tomar”, garantiu a especialista, reforçando o alerta para o que ela chama de ‘questão urgente’ de saúde pública.

Esses microplásticos chegam ao organismo humano por meio da água, dos alimentos e até do ar, à medida que produtos com este material se degradam. No caso da água engarrafada, as partículas se formam durante a fabricação, o armazenamento e o transporte, o que faz com que o consumidor as ingira diretamente da fonte.

Pesquisas recentes localizaram microplásticos em tecidos humanos, placentas, leite materno e sangue, evidenciando a capacidade dessas partículas de penetrar profundamente no corpo. Os riscos são considerados crônicos e cumulativos, não imediatos.

O estudo também indica que os microplásticos podem alterar o microbioma intestinal, conjunto de bactérias que desempenham papel essencial na digestão e na imunidade, contribuindo para distúrbios metabólicos e respiratórios.

Entretanto, os cientistas alertam que os efeitos a longo prazo ainda são pouco compreendidos, devido à falta de testes padronizados e de monitoramento global.

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