Mounjaro: Estudo revela que ‘nova geração’ do medicamento provoca perda de peso recorde de 28,7%, comparável à cirurgia bariátrica

A Eli Lilly, empresa farmacêutica responsável pelo Mounjaro, anunciou os primeiros resultados dos ensaios clínicos de fase 3. Essa fase é a etapa final dos testes para a retatrutida, uma nova substância experimental voltada para o tratamento da obesidade.

No estudo intitulado TRIUMPH-4, os participantes apresentaram uma perda média de 28,7% do peso corporal ao longo de um período de 68 semanas, equivalente a cerca de um ano e meio. Entre aqueles que receberam a dose mais elevada do medicamento, 23,7% conseguiram uma redução superior a 35% no peso.

Esse resultado representa a maior diminuição de peso observada entre as novas injeções destinadas à emagrecimento e é comparável aos efeitos de cirurgias bariátricas, que costumam resultar em perdas entre 25% e 35% no peso nos primeiros anos. Assim como o Mounjaro e o Wegovy, a retatrutida é administrada por meio de injeções semanais.

Os testes também analisaram melhorias nas condições de pacientes com osteoartrite de joelho, resultando em uma redução significativa de 75,8% na dor relatada. A Eli Lilly informou que os resultados completos da pesquisa serão apresentados em uma conferência médica e publicados em uma revista científica especializada.

“Pacientes com obesidade e osteoartrite frequentemente lidam com dor intensa e limitações na mobilidade, podendo necessitar eventualmente de cirurgias substitutivas. Estamos otimistas com os achados do TRIUMPH-4, que evidenciam o impacto significativo da retatrutida – um agonista triplo inovador – sobre o controle do peso, dor e funcionalidade física”, comentou Kenneth Custer, vice-presidente executivo da Lilly e presidente da divisão Lilly Cardiometabolic Health.

Custer também mencionou que outros sete estudos em fase 3 envolvendo a retatrutida estão programados para serem divulgados ainda este ano. A expectativa é que esse novo medicamento se torne uma alternativa aprovada para indivíduos com necessidade expressiva de perda de peso e complicações associadas, como a osteoartrite de joelho.

A retatrutida destaca-se por seus resultados promissores no combate à obesidade. Pertencente à classe dos análogos do GLP-1, assim como Ozempic e Wegovy, ela apresenta um mecanismo mais avançado: enquanto a semaglutida apenas imita o hormônio GLP-1 e a tirzepatida (Mounjaro) atua sobre GLP-1 e GIP, a retatrutida atua simultaneamente como um “triplo agonista”, estimulando GLP-1, GIP e glucagon.

Esses medicamentos são eficazes tanto no tratamento da diabetes tipo 2 quanto na obesidade ao aumentar a produção de insulina, retardar o processo digestivo e intensificar a sensação de saciedade, resultando em menos fome e menor ingestão calórica.

Nos ensaios clínicos realizados até agora, a eficácia da retatrutida foi superior à dos medicamentos existentes:

  • Semaglutida (Ozempic/Wegovy): cerca de 17,4% de perda ponderal após 68 semanas;
  • Tirzepatida (Mounjaro): até 25,3% ao final de 88 semanas;
  • Retatrutida: aproximadamente 28,7% em um período de 68 semanas.

Além da significativa perda de peso observada, a retatrutida também demonstrou melhorias em parâmetros cardiovasculares como níveis de colesterol, triglicerídeos e pressão arterial.

Os efeitos adversos foram semelhantes aos observados nas outras medicações dessa categoria, incluindo náuseas, diarreia, constipação e vômitos – geralmente leves ou moderados.

A pesquisa mais recente denominada TRIUMPH-4 envolveu 445 adultos com obesidade ou sobrepeso acompanhados de osteoartrite no joelho. Os participantes foram divididos entre aqueles que receberam doses semanais do medicamento ou placebo, com aumentos graduais nas doses durante o tratamento. No momento atual, a retatrutida permanece sob investigação clínica e não está disponível comercialmente.

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