Novo fármaco mostra potencial para preservar neurônios em pacientes com Alzheimer, aponta pesquisa.

Pesquisadores da Universidade do Colorado Anschutz, nos Estados Unidos, descobriram que o sargramostim, um medicamento utilizado por anos no tratamento de diversas doenças, pode ter potencial para retardar a morte de neurônios em pacientes com Alzheimer.

O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, investigou os efeitos da versão sintética da proteína GM-CSF, conhecida por estimular o sistema imunológico.

A pesquisa revelou que as alterações nos neurônios podem iniciar desde a infância e se agravar com o passar dos anos. Os cientistas notaram que a administração do medicamento resultou na diminuição de marcadores sanguíneos associados à morte neuronal em indivíduos com Alzheimer, além de promover melhorias em algumas funções cognitivas avaliadas.

Huntington Potter, professor e diretor do Centro de Alzheimer e Cognição da mesma universidade, destacou que o ensaio clínico revelou mudanças significativas tanto nos exames de sangue quanto em testes cognitivos em um período relativamente curto.

Além disso, Potter enfatizou que os resultados sugerem a possibilidade de interferir em processos biológicos relacionados ao avanço da doença mesmo após o diagnóstico inicial.

Para aprofundar a análise dos efeitos do sargramostim, os pesquisadores examinaram dados de indivíduos em diferentes faixas etárias. Eles identificaram que proteínas liberadas na corrente sanguínea durante danos neuronais ou morte celular aumentam progressivamente ao longo da vida.

Dentre essas proteínas estão a UCH-L1, que está relacionada à morte neuronal, e a NfL, que é liberada em caso de lesão neuronal. Ambas têm níveis baixos na infância e aumentam significativamente com a idade, atingindo seu pico por volta dos 85 anos. Em estágios mais avançados, níveis elevados de UCH-L1 estão associados a desfechos cognitivos desfavoráveis.

Os cientistas também observaram um aumento na GFAP, uma proteína vinculada à inflamação cerebral, a partir dos 40 anos. É interessante notar que os níveis desses marcadores relacionados à idade eram mais elevados entre mulheres, embora as causas dessa diferença ainda permaneçam desconhecidas.

A pesquisa sugere que parte do declínio cognitivo associado ao envelhecimento pode estar ligado a processos inflamatórios e à morte gradual de neurônios — fenômenos também identificados na doença de Alzheimer.

Sargramostim e Alzheimer

No ensaio clínico realizado, o sargramostim foi administrado por um período curto a pacientes com Alzheimer. Durante esse tratamento, observou-se uma redução aproximada de 40% nos níveis sanguíneos de UCH-L1, alcançando valores semelhantes aos encontrados no início da vida adulta. No entanto, esse efeito foi temporário e desapareceu após a interrupção do uso do medicamento.

Apesar disso, os voluntários tratados com sargramostim mostraram melhora em um dos testes cognitivos aplicados — o Mini Exame do Estado Mental — e essa melhoria persistiu mesmo 45 dias após o término do tratamento. Por outro lado, os marcadores sanguíneos retornaram aos níveis anteriores nesse mesmo período.

A equipe de pesquisadores explica que o GM-CSF estimula a produção de células imunológicas tanto na medula óssea quanto no cérebro e ajuda a controlar processos inflamatórios. Em modelos animais estudados anteriormente pelo grupo, já havia sido observada uma reversão do declínio cognitivo e uma diminuição da morte neuronal após poucas semanas de tratamento.

No entanto, os autores alertam que estes resultados são preliminares e não permitem concluir se o medicamento pode efetivamente reduzir de forma sustentável a morte neuronal associada ao Alzheimer ou ao envelhecimento normal. Também não está claro se os benefícios são dependentes do uso contínuo do fármaco.

Um segundo ensaio clínico mais extenso e envolvendo um número maior de participantes com Alzheimer leve a moderado já está em andamento. Enquanto esses dados não forem analisados e avaliados por órgãos reguladores como a FDA, os pesquisadores recomendam que o sargramostim seja utilizado apenas nas indicações previamente aprovadas.

Qual sua opinião sobre essa descoberta? Comente abaixo!

O Diário Regional

Learn More →