Pesquisa revela que melatonina pode elevar chances de insuficiência cardíaca

A melatonina, cada vez mais utilizada por pessoas que enfrentam dificuldades para dormir, pode apresentar riscos à saúde. Uma pesquisa divulgada durante a reunião anual da American Heart Association revelou que o uso prolongado deste hormônio sintético está ligado a um aumento no risco de insuficiência cardíaca, internações hospitalares e até morte, especialmente em pacientes com insônia crônica.

O estudo examinou cinco anos de dados médicos pertencentes a 130.828 adultos diagnosticados com insônia, utilizando informações da TriNetX Global Research Network, uma base internacional de dados de saúde.

Os achados indicaram que, ao longo do período analisado, aqueles que consumiram melatonina apresentaram uma probabilidade aproximadamente 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca em comparação aos não usuários do suplemento: 4,6% contra 2,7%, respectivamente.

Além disso, os pesquisadores notaram que havia uma chance quase 3,5 vezes maior de hospitalização devido à insuficiência cardíaca entre os usuários de melatonina (19% contra 6,6%) e quase o dobro do risco de mortalidade por qualquer causa (7,8% frente a 4,3%).

O médico Ekenedilichukwu Nnadi, residente chefe em medicina interna na SUNY Downstate/Kings County Primary Care em Nova York e principal autor do estudo, comentou: “Os suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos quanto se imagina. Se nossos resultados forem confirmados, isso poderá alterar a maneira como os médicos aconselham seus pacientes sobre o uso de produtos para induzir o sono.”

Marie-Pierre St-Onge, professora da Universidade Columbia e presidente do comitê responsável pela declaração científica sobre saúde do sono da AHA para 2025, reforçou a importância da cautela: “Fico surpresa ao ver médicos prescrevendo melatonina por períodos superiores a um ano. Nos Estados Unidos, ela não é recomendada para o tratamento da insônia crônica e seu uso contínuo deve ser feito sob supervisão médica”, alertou.

A docente, que não participou da pesquisa, ressaltou que um sono saudável depende de diversos fatores como hábitos diários e exposição à luz. “Recorrer diariamente a um hormônio sintético não resolve as causas subjacentes da insônia e pode acarretar outros riscos à saúde”, concluiu.

Os autores do estudo enfatizam que se trata de uma pesquisa observacional e não estabelece uma relação direta entre causa e efeito. Ou seja, embora tenha sido identificado um vínculo entre o uso prolongado da melatonina e eventos cardíacos adversos, outros fatores como a utilização de medicamentos para dormir ou condições psiquiátricas podem estar envolvidos na situação.

Nnadi finalizou destacando: “Embora a associação encontrada desperte preocupações sobre a segurança do uso da melatonina, são necessárias mais investigações para determinar se o suplemento realmente impacta a saúde cardiovascular.”

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