Classificado como “potencialmente cancerígeno” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o aspartame, um adoçante comum em alimentos “diet” ou sem açúcar, tem sua ingestão recomendada limitada a 40 mg por quilo de peso corporal diariamente. Recentemente, uma pesquisa revelou que até mesmo quantidades menores desse composto podem ter consequências alarmantes para a saúde.
Pesquisadores do Centro de Pesquisa Cooperativa em Biomateriais, localizado na Espanha, realizaram um experimento com camundongos, administrando uma dose do adoçante a cada quinze dias. Essa dose era equivalente a aproximadamente um sexto do limite diário considerado seguro para seres humanos, conforme os padrões da OMS, totalizando cerca de 6,6 mg.
Após um ano de observação, foram identificados problemas cardíacos nos camundongos machos que ingeriram pequenas quantidades de aspartame. Os efeitos incluíram uma redução na eficiência do bombeamento do coração e alterações estruturais e funcionais. O estudo sugere que essas mudanças estão associadas ao aumento do estresse cardíaco e à diminuição do desempenho do órgão.
Os autores da pesquisa, publicada na revista Biomedicine & Pharmacotherapy, afirmaram: “O estudo indica que a exposição prolongada a adoçantes artificiais pode prejudicar o funcionamento dos órgãos, mesmo em doses baixas, o que aponta para a necessidade de uma reavaliação crítica das diretrizes de consumo atuais.”
Além disso, foi notada uma redução significativa na absorção de glicose pelos ratos. Essa condição pode resultar em uma privação energética no cérebro, afetando seu funcionamento adequado.
“É alarmante que um regime tão leve de exposição — muito abaixo do máximo permitido para humanos e aplicado apenas três dias a cada duas semanas — possa impactar a função cardíaca e cerebral e modificar a estrutura do coração”, alertaram os pesquisadores.
Por outro lado, os cientistas observaram que os efeitos registrados neste estudo foram “relativamente leves” em comparação com investigações anteriores onde ratos consumiram aspartame diariamente ou por períodos mais curtos.
“Pode ser que os intervalos sem o uso de aspartame tenham diminuído a gravidade das mudanças observadas; ou então, ratos adultos demonstram maior tolerância ao adoçante do que os jovens; ou ainda que esses animais se adaptem à exposição prolongada ao composto. Até que as consequências neurológicas do aspartame sejam mais bem compreendidas, é aconselhável que crianças e adolescentes evitem ao máximo seu consumo regular,” concluíram os pesquisadores.
A Associação Internacional de Adoçantes (ISA) recomenda cautela ao interpretar este novo estudo realizado com animais sobre o aspartame. Em comunicado oficial, a ISA ressaltou que “diferenças fisiológicas significativas entre humanos e camundongos — como metabolismo, expectativa de vida, fisiologia cardíaca e utilização de energia pelo cérebro — limitam a relevância das conclusões obtidas.”
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