Cientistas alertam: consumo de alimentos ultraprocessados pode prejudicar sua saúde cerebral; saiba mais

Além dos já conhecidos efeitos negativos, o consumo de alimentos ultraprocessados se relaciona a um desempenho inferior em testes de atenção e a um aumento no risco de demência. Essa relação persiste mesmo quando se considera a qualidade geral da alimentação.

A pesquisa foi realizada por equipes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Monash e da Universidade Deakin, envolvendo 2.192 australianos na faixa etária de meia-idade. Os pesquisadores constataram que um leve aumento na ingestão desse tipo de alimento é suficiente para comprometer a capacidade do cérebro em manter o foco e agravar fatores relacionados à demência.

Os participantes do estudo, com idades entre 40 e 70 anos e sem diagnóstico de demência, incluíam indivíduos que apresentavam histórico familiar da doença. Eles preencheram um questionário com 130 itens sobre hábitos alimentares, que abordava a frequência com que consumiam cada tipo de alimento nos últimos 12 meses.

Os alimentos foram organizados em quatro categorias segundo o sistema Nova. A última categoria compreendia os ultraprocessados, que incluem refrigerantes, salgadinhos, salsichas, sorvetes industrializados, refeições prontas e pães industrializados.

Para avaliar o desempenho cognitivo, os voluntários participaram de testes online que mediram atenção, velocidade de processamento (tempo de reação) e memória (reconhecimento visual). Para analisar o risco de demência, os cientistas utilizaram a medida CAIDE, que leva em conta idade, escolaridade, gênero, níveis de colesterol, pressão arterial, atividade física e índice de massa corporal (IMC), sendo que valores mais altos indicam maior probabilidade de desenvolver a condição.

“O processamento excessivo dos alimentos muitas vezes destrói sua estrutura natural e introduz substâncias potencialmente prejudiciais, como aditivos artificiais ou produtos químicos utilizados no processamento”, afirmou Barbara Cardoso, da Universidade Monash, em publicação na revista Alzheimer’s & Dementia onde os resultados do estudo foram divulgados.

A especialista destaca que esses aditivos sugerem que a relação entre dieta e função cognitiva é mais complexa do que a mera ausência de alimentos saudáveis; existem mecanismos associados ao nível de processamento dos próprios alimentos.

No entanto, os pesquisadores alertam que o desenho metodológico do estudo não permite concluir que os ultraprocessados sejam causadores diretos desse efeito; eles estão apenas correlacionados.

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