Será que os garimpeiros estão prestes a se tornar astronautas?

(Crédito: Pixabay/Pexels)

Depois do anúncio de Donald Trump sobre tarifas contra café, sal e aço, duas expressões pouco conhecidas se tornaram parte do vocabulário oficial do governo: “terras raras” e “minerais críticos”. Um brinde aos detalhes da linguagem.

Sobre o termo “terras raras”, há indícios de que esses minerais são abundantemente encontrados em nosso país, o que pode parecer estranho semanticamente, mas é geopoliticamente positivo. Já em relação aos “minerais críticos”, é importante esclarecer que o nome não tem origem na Escola de Frankfurt ou em conceitos marxistas. Na verdade, a designação se baseia na importância desses minerais para indústrias de ponta, tornando-os essenciais para setores críticos da economia.

Estes minerais são fundamentais para indústrias emergentes, como a transição energética, a inteligência artificial na corrida armamentista, a fabricação de celulares, câmeras digitais e baterias. Considerando a presença desses minerais em território brasileiro, a possibilidade de negócios com os Estados Unidos se torna viável, apesar das controvérsias sobre os termos dessas transações.

A história de explorar os recursos naturais do país, desde o ciclo do diamante, continua. Ciclos futuros virão, mantendo a tendência de exploração. Após a mineração, o legado são cicatrizes na paisagem e impactos ambientais. A busca incansável por recursos naturais reflete a incessante busca por lucro e poder.

A teoria de Max Weber sobre o capitalismo moderno ecoa até hoje, destacando como a economia influencia o estilo de vida das pessoas e a exploração dos recursos naturais. A busca por petróleo, a descoberta do pré-sal e a exploração espacial são exemplos atuais dessa ânsia por recursos.

Em breve, a mineração espacial pode se tornar uma realidade, com a exploração de asteroides e objetos celestes ricos em metais preciosos. Essa busca desenfreada por recursos pode trazer consequências ambientais graves e interferir nas dinâmicas do universo.

No entanto, é importante refletir sobre os impactos dessa obsessão por recursos naturais e a necessidade de preservar o equilíbrio ambiental para as gerações futuras.

Publicado originalmente em Estadão

Eugênio Bucci é jornalista e professor da ECA-USP, Eugênio Bucci escreve quinzenalmente na seção Espaço Aberto

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