Desvendando a crise da Canarinho: a relação entre a mídia e uma lei esquecida do futebol

(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

No encontro entre Brasil e Noruega, realizado no final da tarde do último domingo (5), confirmou-se a famosa máxima do futebol: quem não marca, acaba sofrendo. Logo aos 13 minutos, o Brasil teve uma penalidade a seu favor, mas Bruno Guimarães não conseguiu converter, tendo seu chute defendido pelo goleiro norueguês Orjan Nyland, de 35 anos. Após essa defesa, o técnico da Noruega, Stale Solbakken, de 58 anos, optou por um estilo de jogo mais cauteloso, priorizando a posse de bola e evitando riscos para o ataque. Assim, a partida se tornou monótona, assemelhando-se a um jogo recreativo. No segundo tempo, aos 34 minutos, Erling Haaland, atacante norueguês de 25 anos, abriu o placar. Poucos minutos depois, aos 44 minutos, ele anotou seu segundo gol. Neymar Jr., que entrou na segunda etapa e tem 34 anos, conseguiu descontar para o Brasil com um pênalti já nos acréscimos. Antes de sua cobrança, ele teria perguntado ao goleiro adversário para qual lado deveria chutar. A partida terminou com um resultado de Noruega 2 a 1. Com isso, os noruegueses seguem na Copa enquanto os brasileiros se despedem.

A participação do Brasil na Copa do Mundo da FIFA 2026 chegou ao fim e com isso se esvaiu o sonho da torcida pelo Hexa. Porém, uma nova oportunidade surgirá em 2030. Não irei aqui apontar os responsáveis pela derrota da Seleção; em vez disso, vamos focar nos aspectos positivos que podemos extrair deste torneio. Como um repórter veterano de 75 anos com mais de quatro décadas de experiência em redações jornalísticas e atualmente em busca de histórias nas estradas — com especialização em conflitos agrários e migrações — admito que meu conhecimento sobre futebol é limitado. Entretanto, compreendo bem sobre jornalismo e estratégia. Dito isso, considero acertada a escolha do técnico italiano Carlo Ancelotti para comandar a Seleção até a Copa de 2030. Embora eu não possa comparar suas habilidades com as dos treinadores brasileiros ou estrangeiros, acredito que ele é a pessoa ideal para reestruturar nossa equipe nacional.

Ancelotti é amplamente respeitado pela direção dos principais clubes do mundo e muitos dos atletas brasileiros atuam nesses times europeus. Isso significa que os jogadores têm à frente um treinador reconhecido por seu profissionalismo e que possui influência junto aos executivos desses clubes renomados. Essa é uma vantagem significativa.

Mudando um pouco de assunto — algo que chamamos nas redações de aproveitar um gancho — existe uma crescente preocupação entre comentaristas sobre a saída precoce dos melhores jogadores brasileiros para clubes estrangeiros, especialmente na Europa. Muitos jovens talentos sequer tiveram a chance de atuar em equipes brasileiras antes de serem vendidos para outros países. Essa tendência pode comprometer ainda mais a qualidade já fragilizada do futebol nacional no futuro. Mas o que poderia ser feito? Uma proibição para impedir essa transferência? Isso não resolveria nada! Em uma pesquisa realizada com inteligência artificial sobre as vendas históricas de jovens talentos ao exterior, descobri que na década de 60 o então presidente Jânio Quadros (1917 – 1992) declarou Pelé “tesouro nacional”, o que impediu sua transferência para fora do país e afetou significativamente sua carreira na época. Conversei com especialistas sobre como reverter essa situação e eles sugeriram que fortalecer financeiramente os clubes brasileiros seria crucial para competir no mercado internacional.

Por fim, cabe destacar que a derrota do Brasil para a Noruega pode diminuir o interesse da população pelo torneio da FIFA e consequentemente reduzirá a audiência nos meios de comunicação. Isso resultará em cortes nas coberturas esportivas por parte dos jornais, rádios e emissoras de TV. Até agora, a Seleção ocupava as manchetes principais das publicações e ofuscava outros assuntos relevantes como as eleições presidenciais entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45 anos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual presidente e candidato à reeleição. Além disso, temas como o escândalo envolvendo o Banco Master e seu ex-proprietário Daniel Vorcaro (42 anos), cuja gestão fraudulenta acarretou perdas estimadas em R$ 50 bilhões ao sistema bancário nacional também foram deixados em segundo plano pela mídia durante o período da Copa. A notoriedade desse caso permanece mesmo durante as competições esportivas, mas ele certamente voltará ao foco agora que toda semana novas informações surgem através da Polícia Federal.

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Carlos Wagner é Jornalista.

O post A imprensa, a queda da Canarinho e uma antiga lei do futebol: quem não faz leva apareceu primeiro em Observatório da Imprensa.

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