Pesquisa revela os benefícios da dieta cetogênica no alívio dos sintomas depressivos

Uma investigação divulgada na revista JAMA Psychiatry aponta que a dieta cetogênica pode trazer melhorias significativas para indivíduos que enfrentam depressão resistente ao tratamento.

A essência da dieta cetogênica é a redução do consumo de carboidratos, enquanto se eleva a ingestão de gorduras e proteínas. Este regime alimentar é bastante restritivo, permitindo apenas 5% a 10% das calorias provenientes de carboidratos. A depressão resistente ao tratamento caracteriza-se pela persistência dos sintomas, mesmo após o uso de pelo menos dois antidepressivos distintos.

Dietas com limitação de carboidratos, como a cetogênica, são frequentemente recomendadas para pessoas com síndromes fúngicas, aquelas em tratamento para epilepsia ou distúrbios neurológicos, além de serem indicadas para controle do diabetes tipo 2, redução de peso em casos de obesidade, mudanças nas estratégias terapêuticas em doenças autoimunes, mulheres na menopausa e pacientes com desordens digestivas que necessitam de avaliação individualizada.

Min Gao, uma das principais autoras do estudo e pesquisadora no Nuffield Department of Primary Care Health Sciences da Universidade de Oxford, comenta que essa dieta pode atuar como um suporte importante em certos tratamentos, embora não substitua as terapias já existentes. “Não é uma cura por si só, mas pode oferecer um leve benefício adicional para determinados pacientes quando combinada com o tratamento padrão”, afirmou ela.

Como a dieta cetogênica pode ajudar pessoas com depressão

No decorrer da pesquisa, foi realizada uma análise com 88 participantes, onde os cientistas notaram alterações nas pontuações do Questionário de Saúde do Paciente (PHQ), uma ferramenta amplamente utilizada pelos profissionais de saúde para diagnosticar e acompanhar questões relacionadas à saúde mental. Os resultados indicaram uma redução na gravidade dos sintomas depressivos.

Embora a pesquisa sugira benefícios associados à dieta cetogênica em alguns casos de depressão, Gao destacou que não foram encontradas diferenças significativas entre aqueles que seguiram estritamente a dieta e os demais participantes. “Isso indica que a relação não é simples e que simplesmente aderir mais rigorosamente não garante necessariamente melhores resultados”, avaliou.

A melhoria nos sintomas foi observada quando a dieta foi implementada como um complemento ao tratamento medicamentoso. Os pesquisadores também ressaltam que a adesão à dieta exigiu um suporte intensivo e que poucos voluntários conseguiram manter o regime alimentar após o término desse suporte.

Apesar das evidências positivas, os cientistas ainda não conseguiram identificar qual mecanismo específico da dieta contribui para essa melhora nos sintomas depressivos. “Há várias possibilidades em jogo, incluindo mudanças na forma como o cérebro metaboliza energia, impactos na inflamação ou até mesmo as novas rotinas diárias associadas a uma dieta estruturada”, explicou Min Gao.

Ela também sugeriu que o suporte e a estrutura em torno da dieta podem ter um papel relevante. Mesmo com os resultados indicando um pequeno benefício, ainda não foi possível determinar qual aspecto específico da dieta é responsável por isso.

Um aspecto limitante do estudo é o curto período de intervenção – apenas seis semanas. Os pesquisadores afirmam que esse tempo é comum em estudos dietéticos para avaliar efeitos iniciais, mas não permite observar resultados ao longo prazo. “A maioria dos participantes considerou difícil manter a dieta prolongadamente, o que torna desafiadoras investigações mais longas”, ponderou Gao.

Os pesquisadores agora buscam entender quais pacientes têm maior chance de se beneficiar dessa abordagem alimentar e quais são os fatores que tornam essa dieta eficaz em certos casos. Além disso, eles almejam encontrar maneiras de tornar qualquer benefício potencial mais seguro e sustentável ao longo do tempo.

A equipe está especialmente interessada em desenvolver estratégias práticas para facilitar a adesão à dieta no longo prazo. “Pesquisas futuras precisarão focar em métodos mais sustentáveis antes que possamos investigar adequadamente os efeitos duradouros”, concluiu Min Gao.

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